ARTIGO – A Oração que nos Conduz à Luz da Cura (Padre Carlos)

Para meu Irmãozinho:

 

Neste dia 11 de fevereiro, quando a Igreja celebra o Dia Mundial dos Doentes e honra Nossa Senhora de Lourdes, intercessora dos enfermos, nossos corações se voltam para aqueles que carregam no corpo e na alma o peso da dor. É tempo de erguer os olhos para a gruta de Lourdes, onde Maria, com doçura materna, nos lembra que nenhum sofrimento é em vão. Ali, entre velas acesas e murmúrios de esperança, aprendemos que a oração não é um grito perdido no vazio, mas uma semente lançada ao céu, capaz de florescer mesmo no inverno mais rigoroso.

O Salmo 30:2 ecoa como um bálsamo: “Senhor meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me curaste”. Quantas vezes, amigos e irmãos, repetimos estas palavras entre lágrimas? Quantas noites viraram madrugadas em vigília, com o coração apertado por diagnósticos incertos ou dores que a medicina ainda não nomeou? Mas a cura prometida por Deus nem sempre vem como imaginamos. Às vezes, ela se revela na coragem de seguir em frente, na paz que surpreende em meio ao caos, ou no abraço silencioso de quem nos diz: “Não estás sozinho”.

Nossa Senhora de Lourdes, aquela que se inclinou sobre Bernadete numa gruta fria, não trouxe respostas fáceis, mas ofereceu um olhar que transforma. Ela nos ensina que a verdadeira cura começa quando permitimos que a fé abra as portas de nossa fragilidade. Não há enfermidade que possa apagar a luz da dignidade humana, pois cada vida, mesmo marcada pela dor, é um santuário onde Deus habita. Aos que cuidam dos doentes — mães que velam filhos, filhos que acompanham pais, amigos que se fazem colo —, Maria sussurra: “Vossa entrega é oração viva. Cada gesto de amor é uma chave que descerra os céus”.

Sim, a oração é a chave do céu. Não porque mude a vontade de Deus, mas porque nos muda a nós. Ela nos une à fonte da misericórdia, onde encontramos forças para carregar a cruz sem perder a esperança. Quando rezamos, não suplicamos apenas por milagres; suplicamos por olhos novos para enxergar milagres cotidianos: um sorriso que resiste, um tratamento que avança, uma mão que não solta a nossa.

Neste dia, convido-vos a erguer os corações. Se estais enfermos, oferecei vossa dor como oração. Se estais saudáveis, sede testemunhas da compaixão que não julga, mas acolhe. Lembrai-vos de que, em Lourdes, as águas que jorraram da rocha não eram mágicas — eram sinal de que Deus transforma até a pedra mais dura em nascente de vida. Que Nossa Senhora nos una num mesmo clamor, e que cada “Senhor, cura-me” seja também um “Eis-me aqui, confiante como uma criança”.

Aos que hoje sentem o peso da enfermidade, repito: Não desistas. Tua luta é sagrada. Tua voz, mesmo em sussurro, ecoa no coração de Deus. E lembrai-vos: enquanto houver uma vela acesa no altar de um coração, a escuridão jamais vencerá.

“Senhor meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me curaste”. Que esta promessa nos envolva a todos, como um manto de luz.

Com minha bênção e oração,
Padre Carlos.

O post ARTIGO – A Oração que nos Conduz à Luz da Cura (Padre Carlos) apareceu em Política e Resenha.

from Política e Resenha

Postar um comentário

0 Comentários

Ad Code